sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Fim de Tarde


Em meio ao campo de flores, deitada olhando para o céu, estava a pequena dos olhos mais brilhantes que as estrelas. Porém naquele momento as luzes refletidas em seu olhar não eram aquelas que sempre encantavam quem a via... O azul se destacava ainda mais em meio ao vermelho. Os velhos olhos vermelhos tinham voltado. Parecia que fazia um século que ela não deixava as gotas salgadas molharem a sua pele rosada e matar sua sede. Mas agora era como se nunca tivesse ficado um segundo sem sentir aquele gosto amargo. Em meio aos pensamentos cheios de caos não percebeu que alguém se aproximava, nem ouviu o belo rapaz de cabelo bagunçado chamando-a. Só voltou a realidade quando ele, preocupado, passou a mão na frente dos olhos dela.

-Me deixa em paz...
-Em paz te garanto que já não está...

-Estou sim...
- Esses olhos inchados, vermelhos e essa cara toda bagunçada não me parecem algo que poderia chamar de paz.

- Mas essa é a minha paz... Só a encontro em meio ao meu caos interno, quando os olhos refletem toda a imensidão que existe na minha alma. Quando as ondas desse mar inquieto que existe aqui dentro transbordam através dos meus olhos....

- Você está ficando louca!

- Não estou não, como uma pessoa pode ficar louca se ela nasceu assim?

Ele sorriu e deu uma gargalhada irônica.

-Você sabe muito bem minha menina, que você nunca foi louca, pelo contrário é uma das pessoas mais sãs que eu conheço... Mas por algum motivo que você não me conta, que não compartilha com mais ninguém se entregou a esse estado insano. Onde todos seus sentimentos comandam cada respirar seu. E que tenho que admitir é um jeito muito torto e errado de se mostrar ao mundo... Essa não é você.

-E quem é você pra dizer se essa sou eu ou não?

-E...
-Não se atreva a dizer mais nada!

Ela falou cortando qualquer tentativa de argumento do pobre rapaz. Então os dois ficaram por algum tempo em um silêncio tão profundo que seria possível ouvir as asas das borboletas que passavam por aquele campo. Os olhos inquietos dele olhavam para os olhos vermelhos dela, não resistindo a cena deprimente a mão dele encontrou a dela. A mocinha irritada não tirou a mão, mas com aquele olhar que seria capaz de matar um exército o repreendeu.

-Não me olhe assim... Só quero o seu bem.

-Você não sabe o que é melhor para mim... Por isso não venha com esse argumento tão superficial de que quer o meu bem... O que seria o meu bem?

-Deixar que as pessoas se aproximem de você e parar de querer se fazer de fortona, de quem não tem sentimentos, de se esconder de todos quando na verdade precisa mesmo é de alguém que lhe conforte.

-Eu não quero me fazer de forte, até porque tenho plena consciência de que jamais seria forte. E antes que você diga qualquer coisa, você mais do que ninguém deveria saber que eu não sou essas “princesinhas” que você está acostumado a ter por perto. Eu tenho plena ideia da realidade que me rodeia. Sou totalmente errada, sou torta, não sou delicada, não sei lidar com muitas situações, não sei agir em diversas circunstancias, nãos sou de falar ou mostrar meus sentimentos, gosto de guardar certas coisas em minha cabeça, sou solitária daquelas que gostam da solidão, sou uma ogra quanto se trata de me relacionar com as pessoas a minha volta, sou grossa, não sei demonstrar o quanto me importo ou gosto das pessoas. Sou quebrada, minhas feridas estão tão abertas que ainda sangram como se tivessem acabado de acontecer. E sei mais do que tudo que não nasci pra viver um desses contos de fadas, onde a princesa encontra um príncipe, se apaixona e depois se casam e vão viver felizes para sempre.

-Me dê uma chance de cuidar dessas feridas, eu poderia fechar elas, poderia lhe ensinar que há beleza no torto, errado... Poderia aprender contigo como colocar esses sentimentos pra fora, ajudaria quando você não conseguisse mostrar que se importa, estaria ao seu lado, mesmo que você continuasse com essa ideia de ser ogra e tudo mais. O mais importante de tudo é que te aceitaria assim como é ou se você tentasse mudar, ou mudasse... Porque eu quero a chance de poder amar você, de ter você ao meu lado, não importa como nem quando. Eu só quero ter a chance de lhe fazer feliz.

-Tudo isso é impossível, eu não posso amar. Desaprendi o que é isso quando fiquei louca, quando me perdi... E outra eu jamais conseguiria retribuir isso tudo. Não quero lhe ferir, não quero ser a responsável por lhe destruir.

-Vai dizer que nunca amou ou tentou amar?

-Já amei sim... E foi ai que enlouqueci. Porque como falei, sou errada, sou torta. No linguajar do povo poderia dizer que meus sentimentos são iguais a mulher de bandido, que gosta de apanhar. Porque quanto mais impossível, mais errado, maltratado, maltratado e tudo mais de ruim que uma relação pode fazer com uma pessoa, mais eu me entregava e me apaixonava. É por isso que falo que perdi a capacidade de sentir amor quando enlouqueci, porque sei que nenhum outro relacionamento vai ser capaz de me torturar tanto a ponto de eu lutar mais do que consigo para fazer funcionar. E não vale a pena eu estragar alguém por conta das minhas próprias feridas

-Mas eu cuido de você...

Ela olhou naqueles olhos verdes, as lágrimas ainda molhavam e salgavam a boca dela, porém as palavras que dali sairão pareciam tão duras quanto uma pedra.

-Você diz agora que vai cuidar de mim... Ai você cansa e esquece de cuidar, e as feridas vão abrir ainda mais. Porque sempre é assim, eu cuido das pessoas, mas ninguém cuida de mim. Ninguém consegue aturar esse meu estado “no fundo do poço” por muito tempo. Ninguém suporta essa minha loucura... É algo que cansa rápido, eu deixo de ser a menina espontânea e feliz rápido de mais, tão rápido que você nem vai perceber que tudo isso que você diz querer se torna o que não quer nunca mais. Por isso não faça isso, não tente, não prometa... E me deixe em paz... Deixa que eu cuido de tudo isso sozinha, sou melhor assim, gosto dessa solidão inebriante.

A pequena levantava com uma flor na mão e foi embora, sem nem dizer adeus ou até logo. Porque ela não gostava de despedidas, elas costumavam lhe ferir ainda mais o coração.


Os olhos verdes daquele rapaz de cabelos bagunçados apenas olhavam de longe enquanto aquela que amava dava pequenos passos e se afastava... Enquanto seu coração e mente brigavam para saber se ele deveria ou não ir atrás dela, lhe puxar pelo braço e dizer que ele não era como os outros.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Procura-se

Nestes tempos de juras de amor aos ventos, procura-se alguém que saiba que o amor não é uma coisa que deve ser dito como se fosse bom dia. Alguém que goste de ficar de baixo das cobertas em dias frios, seja vendo um filme na televisão, dividindo um chocolate quente, falando besteiras ou aproveitando as cobertas. Alguém que não se importe com o tempo quando está ao seu lado e que não queira ir embora. Que te surpreenda quando menos espera. Que goste de carinho, tanto de fazer quanto de receber.
            Procura-se alguém que goste de cachorros, gatos, periquitos, tartarugas, cavalos. Alguém que adore crianças. Alguém que faça planos, que te inclua e não te exclua da sua vida. Que não tenha medo da verdade, que saiba aproveitar a liberdade. Que não se prenda de mais e nem fique solto por ai. Deve admitir que sente saudades, mesmo que seja em uma mensagem no meio da madrugada ou numa carta daquelas que podem vir pela caixa de e-mail ou pelo correio.



            Essa pessoa deve gostar de livros, entender que não são apenas palavras ou atitudes e sim o equilíbrio entre ambos. Deve gostar de boa música e das ruins também. Que não se importe de parecer um bobo enquanto dança. Que faça companhia, mesmo que não esteja afim de ir em algum lugar. Alguém que goste de ir ao cinema, teatro, shows e até mesmo na barraquinha de cachorro quente da esquina.
Procura-se ainda alguém que goste de viajar, pra fazenda, pro mar, para uma cidade vizinha ou pro final do mundo. Alguém que saiba quando é a hora certa de pegar no colo, secar as lágrimas e lhe fazer sorrir. Alguém que saiba quando o silêncio é necessário. Alguém que não fuja e nem tenha medo de sentimentos. Que saiba esperar, mas também que faça uma pressão quando necessário.
Por fim... Alguém que queira viver um amor daqueles épicos, digno dos melhores romances. Que não vá embora e que fique, mesmo quando mostrar o seu lado mais negro da força, mais incosequente, mais louco e descontrolado. Alguém que não te dê apenas a mão, uma aliança e um status, mas sim lhe dê seu coração, seu corpo e alma para compartilhar uma história.

domingo, 14 de abril de 2013

Momentos



Os grandes e azuis olhos de Serena, cheios de lágrimas, encaravam aqueles olhos cobertos de segredos.
-Não brinque comigo, não agora... Não brinque comigo... Eu ainda te amo.
Ele então a abraçou mais forte, a menina de personalidade forte, que quase nunca mostra seu lado frágil deixou as lágrimas rolarem. Um momento tão cheio de sentimentos depois de um longo tempo.  Ficaram assim por alguns minutos, mesmo as lágrimas não caindo mais, ela continuo deitada em seu colo. O silêncio dominou o quarto...
Sebastian estão começou a fazer carinho em Serena e ela foi deixando a autodefesa de lado e até mesmo retribuía aquele carinho. Como as coisas mudam quando estão no mesmo ambiente, chega a ser estranho, parece que um não consegue ficar sem tocar o outro. Os dois sabiam bem o que não deveriam fazer, porém eram levados por algo inexplicável. Quer dizer, talvez não tivesse explicação no sentido que levava Sebastian a ser tão atencioso e carinhoso com Serena, mas a reação dela, em sua mente, era clara: Os sentimentos que nutria por ele.
Todo gesto e toda palavra ali tinham um peso, só que isso não mudava o mundo no qual os dois viviam e muito menos o que acontecia fora daquela porta. Provavelmente não mudaria o que aconteceria depois, Serena tinha certeza que não teria outros momentos como este, era único e ela queria aproveitar o máximo possível.  O carinho, o toque, o beijo, cada detalhe era intenso durante o tempo que passaram juntos.
-Eu preciso ir embora...
Serena então puxou Sebastian para mais perto e o beijou novamente e continuou o beijando...
-Eu preciso ir embora...
Mais beijos...
-Calma, eu estou dizendo tchau...
-Isso não parece ser um tchau...
-Mas é, eu só estou aproveitando enquanto posso, sei que depois que você for embora isto não vai mais acontecer... Então deixe me aproveitar...
E continuou a beijar docemente Sebastian... Então o acompanhou até a porta... Assim que ele virou as costas e foi em direção ao elevador ela começou a pensar naquela noite. Tinha muitas coisas que precisava dizer a ele. Entre as principais é que isto não poderia acontecer de novo, afinal à vida dos dois iria mudar muito e era necessário ter mais responsabilidade. E apesar de querer mais noites como aquela, sabia que não faria bem a ninguém e só complicaria mais a situação. Precisavam ter uma boa relação, mas como amigos, nada além disso.
Ela também precisava seguir com sua vida e naquele instante percebeu o quanto seria ótimo ter alguém para lhe ajudar com tudo, ainda mais lhe dando carinho, atenção e o amor que era necessário. E infelizmente Sebastian não era a pessoa que estaria disposta e nem disponível para isto. Mas então por que os dois tinham momentos como aquele? O que fazia com que ele também tivesse aquela necessidade do toque, do carinho e de todo o resto? Ele era um mistério, ela não conseguia entender direito o que se passava em sua cabeça e não confiava nele por isso. Mas tinha que ter uma explicação... Talvez, quem sabe algo ainda existia dentro daquele coração... Seria possível? Não... Ela não podia se enganar agora e nem deixar que ele brincasse com ela. Tinha que ser forte, não era a única que sofreria consequências com essas atitudes. Precisava de respostas... Ahhh... Como Serena odiava se sentir tão frágil assim, malditos hormônios que a deixavam ainda mais inconstante.
Agora não conseguia dormir novamente, pensando em como era bom sentir a pele de Sebastian, como era reconfortante e seguro em seus braços... Ahh pequena, em que cilada você está se metendo?

quinta-feira, 7 de março de 2013

O que sentia?


A água estava quente e a playlist de dias chuvosos tocava no fundo. Selina estava de olhos fechado e agora lavava a cabeça. Ao abrir os olhos depois de enxaguar seus longos e emaranhados cabelos loiros ela se lembrou de algumas palavras. Por algum motivos seus olhos novamente se fecharam e era como se tivesse voltado no tempo. Lá estava aqueles belos olhos castanhos, cheios de lágrimas, mostrando um pouco de receio e ao mesmo tempo dor, daquela boca que tantas vezes viu um dos mais belos sorrisos irônicos, saíram palavras que ela não acreditava ouvir.

-É você que eu amo! Sim, eu te amo! Eu realmente achei que nunca iria sentir isso de novo, você sabe, já te falei que não sou do tipo que sai dizendo isso por ai. E eu sinto isso, é você que eu amo. Eu te amo porra!

Novamente se concentrou na música que tocava. Sentiu um arrepio descendo pela espinha. Como pode aquele "príncipe" lhe jurar amor? Selina se fazia de durona, muitas vezes utilizava o seu jeito intenso e cheio de energia para esconder aquela mulher frágil e cheia de sentimentos. Aproveitava que as pessoas sabiam que era era meio liberal e mente super aberta, uma mulher moderna, e continuava a manter a pose de quem não se importa com nada a não ser com divertir-se e viver o hoje. Mas ali, bem no fundinho ela queria mesmo declarações de amor, palavras de afeto, carinho, uma boa companhia pra ver filmes, trocar olhares e contar piada. Sabe, alguém pra trocar livros, lhe aquecer nos dias frios e dormir abraçada. Não importava com quem estaria durante a semana toda, o que importava era quem ela queria ao seu lado num sábado à noite ou num domingo à tarde.

Novamente Selina abriu os olhos e continuou olhando para o nada. Tinha tantas perguntas sem respostas, tantas coisas para lhe dizer. Mas insistia no fato de que talvez fosse só um pouco de carência, falta de alguém que não era específico. Afinal lembrava-se de todas aquelas SMS de encontros e de sexo com outras meninas. Se ele a amasse jamais teria feito isso, então não poderia sentir falta dele. Além disso, quem ama não desiste fácil assim daquilo que ama.

Agora estava ali, solitária, na banheira cheia de água que agora começava a ficar fria. Lá do lado de fora ouvia o vento batendo forte. E em seu peito sentia o vazio, sempre aquele mesmo vazio. Talvez nunca iria achar algo para preenche-lo, talvez fosse morrer com ele... E tinha certeza que era esse maldito vazio que a deixara louca. Só que nem o vazio, nem a falta de alguém, a carência, as lembranças boas, as ruins ou até mesmo ele importavam neste momento.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A decisão



Sou uma pessoa completamente noturna, por isso alguns fatos que muitas vezes mudam o rumo de minha vida acontecem sobre a luz do luar. Não era uma noite diferente das que vinha tendo nos últimos tempos, pouco sono e muitas coisas pulando e maltratando a minha mente inquieta.
Memórias, teorias, possibilidades, metas, planos e problemas... Além é claro de ser totalmente tomada por sentimentos, um misto súbito de amor, raiva, tristeza, ironia, felicidade e incerteza. Para aqueles que me conhecem bem sabem que eu, Serena, não sou uma das pessoas mais fáceis de compreender, sou movida a sentimentos e isso atrapalha e muito ainda mais quando sinto a tal da incerteza por perto. Odeio ter dúvidas, principalmente quando se trata da confiança por alguém  em alguma situação que ao meu ver seria mais simples do que o outro imagina.
Mas foi ali, olhando pela janela do meu quarto, em meio as músicas preferidas de uma garota solitária, olhando para a Lua que comecei a colocar tudo em ordem. Sim, eu o amava, Billy era o que eu diria um representante de um príncipe de contos de fadas moderno.  Representava várias características que admiro nos homens. Sem contar que ele me conquistou logo de cara, logo depois do primeiro beijo eu já sentia que estava em suas mãos, mesmo implorando para não estar, mesmo implorando para não me apaixonar por ele. Algo ali dentro sabia que ia acabar em choro, em sofrimento e tudo mais do que já estou acostumada a passar quando se trata de amor.
Ok, já sabia que a intuição em todos os pontos tinha acertado até agora sobre o que aconteceria e quando aconteceria nesse relacionamento. Mas agora, ali, olhando para a lua me dei conta de apesar de toda a felicidade, de todo amor e de toda a vontade de estar com ele... Isso não era o suficiente, não era ele o meu príncipe encantado, aquele me levaria em seu fusca para uma vida a dois e que dali em diante escreveríamos a nossa história e o nosso viveram felizes para sempre.
Simples assim, como abrir os olhos em uma manhã e saber que acordou. Foi ali, em meio à noite escura com a luz apenas da lua cheia, que caio a ficha de que o amor nesse caso não era tudo. E que não era ele e não era pra ser. E agora? Sabendo disso, qual seria então a minha decisão? Mais simples ainda, tendo consciência de que não era ele, que não estava disposta a chorar por alguém que no fundo não queria nada com nada eu deveria seguir minha vida, procurar a minha felicidade em outros caminhos.
Na outra manhã já acordei mais alegre, sorrindo sem motivo, pela primeira vez eu havia dormido uma noite inteira tranquila.  E enquanto eu passava o dia vendo filmes e afins vinha àquela necessidade de estar perto de pessoas que me faziam feliz. Não disse não a nenhum convite, disse sim, não somente para mim, mas para a minha nova vida e felicidade. Este era o ponto final de um capítulo e o início de muitos outros.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A Lua solitária


Odeio a Lua Cheia cada vez mais... Ela e seus malditos efeitos, que transformam essa forte mulher em uma moleca, que precisa de todo o tipo de carinho e atenção. Essa moleca inocente e frágil que pode quebrar com o toque errado. Normalmente é solitária como a Lua, brilhante como uma estrela, mas nas noites claras e cheias sente falta de alguém para lhe pegar no colo e dizer que não precisa temer nada.
Lua Cheia, não traia assim quem tanto lhe ama. Não deixe essa moça sentir-se só, seja sua companheira. Dê a ela todo o seu amor até o fim dos tempos, mesmo quando apenas as lágrimas restarem, esteja ao lado dela.
Ahh, maldita seja essa luz, que em seu estado cheio pode mostrar todas as fragilidades dessa pequena... Suas forças, sua garra e toda determinação se vão quando é vista de perto. É só mais um grão de areia que sonha em se tornar uma estrela. Quer brilhar em seu próprio mundo, ter um amor ao seu lado e quem sabe a luz da Lua Cheia poder caminhar de mãos dadas em seu belo final feliz.
Mas no fundo está aqui solitária mais uma vez, olhando a bela Lua no céu a reinar...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O Desejo


Lá estavam os dois, dividindo o mesmo espaço depois de tanto tempo. Todos que ali estavam sentiam uma tenção no ar, mas a Serena continuava agindo normalmente, enquanto Gabriel conversava com um amigo. Foi então que os dois sem perceberem se aproximaram do balcão juntos, ele entrou para ocupar a vaga que era dele e ela para perguntar algo.
Olhou no fundo dos olhos dele sem temer e ele retribuiu o olhar, alguém veio e fez qualquer pergunta, Gabriel respondeu e Serena riu. E os dois ficaram mais um tempo, sorrindo um pro outro, sem entender nada.
Ele levantou e foi até perto dela para pegar algo, a mão dos dois se encontraram, Serena ficou vermelha e se afastou. Tinha medo, isso era perceptível.
Algum tempo passou, ela não consegue se lembrar o que ficou fazendo, mas naquele momento tinha um filme passando e ninguém prestava atenção no balcão, ela então tomou a iniciativa. Entrou e abraçou o amigo, que logo deu um pulo sem compreender porque ela fizera aquilo de surpresa. Serena caiu na gargalhada:
-Agora não posso nem te abraçar?
-Não é isso é que não esperava...
-Gabriel, então me abrace, assim não será surpresa!
Ele a abraçou forte e ela retribuiu, perderam a noção de quanto tempo ficaram ali, juntos... Foram separando-se lentamente, seus rostos ainda colados.
-Serena, melhor a gente manter uma certa distância...
-Do que você tem medo?
-Não tenho medo, mas você sabe que vamos acabar nos metendo em...
-Em uma cilada?!
-Eu te falei aquela vez, que não passou daquele beijo e que não vai acontecer de novo...
-Ok, Sr, "Eu não quero cair em nenhuma Cilada"...
Serena saiu do balcão e ia voltando para a sala quando ele a segurou pela mão, puxou a menina para perto e lhe abraçou pro trás.
-Devemos conversar sobre isso assim que isso aqui terminar... Afinal eu não deveria estar sentindo tudo isso, ainda mais desta forma...
Ouviram alguém tossindo, ou melhor, a única pessoa da sala...
-Acho que já acabamos por hoje...
-Obrigada, já estamos indo embora senhora.
Gabriel puxou Serena pelas mãos e os dois sairão, com as mãos entrelaçadas. No caminho ela encontrou alguns amigos, parou para cumprimentar, mas logo ele chegou com o carro e então ela disse tchau e entrou...
Ao olhar mais uma vez para aqueles olhos, que além de serem a prova de que cairia numa cilada eram também a mostra de um enigma... Algo que talvez ela nunca pudesse desvendar. Fechou os olhos.
Quando os abriu novamente estava na cama, olhou para os lados e compreendeu.  Tudo não passara de mais um sonho. Fechou os olhos e tentou novamente dormir, mas não conseguia parar de pensar naquele sonho tão real.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O verbo: REPLANEJAR


Chega um tempo na vida que o que mais fazemos são planos, seja para o dia, semana, mês, anos ou para a vida. Tenho que admitir que no meu caso a maioria das vezes tive mais sorte nas experiências do que juízo, mas isso não importa. Já que é normal que isso aconteça, afinal as pessoas fazem planos, mas não sabem planejar. O que quero dizer com isso? Simples, por exemplo Sabrina combinou com uma amiga que iriam viajar, mas não fizeram o calculo de quanto gastariam nos dias que ficariam na viagem, não pensaram nos lugares que iriam nesse lugar, não fizeram um cronograma e muito menos pensara nos imprevistos que poderiam acontecer, o máximo que as duas fizeram foi combinar o dia, a hora, pra onde iriam e o meio de locomoção. Se algo der errado no plano, uma vai culpar a outra, afinal a responsabilidade tem que sobrar pra alguém e o lado "mais fraco" sempre arca com as consequências. Sem dizer a decepção que fica.
Esse talvez pudesse ser o meu caso, porém, nos meus sonhos, houve o tal do planejamento, mas no final o que era para ser COLABORAÇÃO virou competição.... E agora José? Sentar e chorar o leite derramado? Poxa, foi um tempo organizando tudo, deixando a casa limpa, fazendo as pessoas gostarem de compartilhar de certo modo essa loucura e agora, tudo está indo por água a baixo e eu não posso fazer nada.
Então que tal mudar os rumos menina? Olhe do começo, analise todos os pontos e perceba bem onde errou. Descobrindo as fatalidades, que tal fazer outros planos, outros projetos e tentar não cometer o mesmo erro?
Pois é isso que estou fazendo, vai que dessa vez eu acerto e se não acertar, que venham as decepções e aqueles momentos meio foça onde fico me culpando pelos erros, mas juro que depois de uns três dias já estou novinha em folha e pensando em mais mil e uma aventuras... Porque é assim que a vida é, não adianta parar e esperar que aconteça. Quero arriscar, prefiro me arrepender daquilo que fiz, do que me arrepender de não ter feito. E lhes digo, só tem uma coisa na vida que realmente me arrependo de não ter feito e a única que não arrisquei de verdade. Se aqui cabe o desabafo, foi tentar prestar o vestibular em São Paulo, na USP e na PUC, para jornalismo ou artes cênicas. Mas agora já foi e estou me formando na UDC, em Foz do Iguaçu. Quem sabe quando terminar tento uma segunda faculdade ou uma pós, mestrado ou sei lá o que esse mundão ai tem pra me oferecer.
Mas no momento prometo me dedicar a esses novos planos, a planeja-los, a tenta-los. Mesmo sabendo que o risco é grande de quebrar a cara... Alguém quer vir nessa viagem comigo?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Um momento de fé


Estar de volta aquele lugar de onde nasceu, onde cresceu até uma certa idade. O lugar onde sua família morava e onde tinhas suas melhores lembranças de infância, muito do que aprendeu na sua vida começou ali. Era nostálgico, sempre seria um pedacinho do lar em seu coração, mas não sentia-se mais em casa. Não pertencia mais àquela realidade queria compreender tudo o que se passava em sua mente e em seu coração. Era costumeiro ser confusa, mas estava mais do que o normal, onde seria o seu lar? Onde seu coração estaria? Até onde ela não sabia sobre seus sentimentos?
Deixava tudo isso de lado, lembrando-se das brincadeiras de rua, do caminho que fazia a pé até o ballet, de como era as antigas casas de sua vó... Os domingos brincando com seus primos, correndo pela casa da outra avó. Os banhos de chuva correndo pelo quintal e até mesmo todas suas amigas brincando na piscina de sua casa. A escola, suas professoras, parecia que tudo aquilo tivera acontecido num passado muito distante, porém só faziam 12 anos.
E agora, pela primeira vez em todos esses anos não via a hora de voltar para sua casa, para sua outra cidade, outra vida, aquilo que chamava de atual realidade.
O carro ainda em movimento, a chuva ia parando e o Sol surgindo, "Sol e chuva, casamento de viúva"... As gotas ainda estavam na janela, passava agora por uma pequena igreja, meio que por reflexo fez o sinal da cruz... Outro pensamento voltou a lhe perturbar, nunca falava sobre Deus, nem naquilo que acreditava... Mas voltando para aquele lugar sentia-o tão próximo de si, antes de dormir, quando orava era como se falasse com um velho amigo, não tinha segredo. Isso começou a pesar, porque perdeu a fé? Porque deixou de acreditar? Não havia motivos para isso, então quando sentisse a necessidade, mostraria no que acredita...
Estava ali, aquele que chamavam de Deus, mas que tinha tantos nomes, ao seu lado, lhe ajudando nas horas difíceis  quando chorava todas as lágrimas que tinha escondida, ele era o único que a via. Principalmente em seus momentos de insônia...
Maldita insônia, vem tira o meu sono... Me deixa acordada no meio da noite, em uma cama sozinha, olhando pro teto... Nesse momento junto as minhas mãos e falo baixinho com Deus, imploro pra ele não me deixar chorar, mas antes de terminar a frase a primeira lágrima já molha a minha face... Sono, porque não voltas e me deixa sonhar?
Maldita ilusão, que me faz ir até onde quero chegar... Me deixa feliz por um belo momento, mas depois de surpresa me tira do mundo perfeito. E lá vem novamente a insônia a me provocar...
Maldita seja a intuição, que desta vez me acordou num pulo...
Acertou até o dia, agora só falta realizar o que o sonho dizia... Não será surpresa se a causa dessa insônia, dessa ilusão e dessa intuição for real um dia.
Mas naquele momento não queria pensar nisso, mais uma vez sabia que poderia estar certa e isso já doía de mais e não deixaria mais interferir na sua vida... Seria como naquele velho clichê: "E o que tiver que ser será."
Durante aquela noite, antes de fechar os olhos pra dormir lembrou de uma frase: "O pai vai colocar em teu caminho suas promessas" e dormiu mais tranquila, pelo menos por um tempo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Vazio


Era uma festa totalmente estranha, Flor não conhecia ninguém o que tornava a situação ainda mais esquisita. Mas precisava se distrair e ali naquele escuro ninguém a notaria. Estava tão cansada daquele barulho e de não conseguir ver nada que entrou na primeira porta onde havia Luz. Deitou no chão com sua garrafa de Whisky, pegou um cigarro e ficou ali olhando pro teto enquanto fumava.
Ria sem parar por realmente ninguém ali sentir a sua falta, achou isso ainda mais libertador. Do que adiantaria ter vergonha em um local onde todos a desconhecem? Virou aquela garrafa, tentou tomar o restante em apenas um gole. Terminou aquele cigarro, pegou outro e então conseguiu finalizar a bebida.
Sai no breu e deixou o ritmo a dominar. Quando percebeu já estava dançando feito louca em uma mesa e as pessoas lá em baixo gritavam pelo seu nome.
No fundo ela estava adorando aquela atenção, então foi se soltando mais, dançando mais e não queria que aquilo terminasse nunca. Precisava mesmo escapar um pouco de sua vida mesquinha e aquilo era perfeito. Sentiu uma mão em sua cintura, foi pega, a desceram e a levaram para fora. A noite estava estrelada, agora percebia que havia perdido seu short e que estava só de camiseta e calcinha. O cara ao seu lado sorria e perguntava se ela estava bem. Pelo olhar de Flor ele achou melhor explicar que a pegou quando viu que ela iria cair. Era vergonhoso, não conseguiria falar, por isso apenas sorriu de volta.
Ali ficaram até a tontura passar, então ela correu feito louca do rapaz e voltou para a festa, pra dança e pras bebidas. Saia apenas para fumar e quando tinha certeza que "seu salvador" não estava por perto...
Na manhã seguinte acordou, coberta de purpurina, com o rosto todo pintado com tintas daquelas que brilham na luz noturna. Não achava seu short, mas outra garrafa estava do seu lado junto com o cigarro, virou aquele último gole, brindando com o nada. Ascendeu o cigarro e foi embora, andando pela rua sozinha até chegar em casa.
Foi para o quarto, não quis abrir a janela, mas olhando para cama, viu aquele lado vazio... A tinta e a maquiagem agora estavam borradas. Flor caiu na cama aos soluços, parecia uma criança, algo estava errado. Por que precisava tanto provar que ainda estava viva? Por que essa necessidade gigantesca de sentir algo? O que havia acontecido com a jovem mulher que havia planejado a sua vida e tinha um lindo futuro todo pela frente?
Aquela Flor não existia mais, tinha muchado e agora ela estava procurando uma nova vida, onde poderia encontrar um algo que preenchesse aquele vazio no seu peito.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Os pecados


Qual foi o pecado desta menina que agora chora?
Terá sido acreditar nas pessoas?
Ou foi a coragem de ser quem é?
Talvez poderá ter sido ser leal...

Qual dos sete pecados ela cometeu?
A vaidade?
Cuidando-se de mais,
amando a si mesma
passando maquiagem para esconder suas lágrimas?

Pode ter sido a luxúria...
Já que não negou o sexo
Provou até mesmo uma flor,
semelhante a sua.
Gostou, queria mais...
ahhh como queria!

O pecado foi a gula?
Por comer muitos doces,
ou esperar algo da vida?
A gula por mais esperança...
Por um futuro melhor

Talvez o pecado da doce menina
não tenha sido os capitais
mas sim a fé
no ser humano
no futuro

Lágrimas ainda caiam
e a menina sabia
que naquele momento
o pecado maior
foi causado pelo amor
o qual a fez se entregar
de corpo, alma e coração

E ainda pecava
Tentando transformar
seus sentimentos
em palavras
através de um poema
mal escrito
mas ditado
e provavelmente mal interpretado


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Até mais Cilada


Eu te amo Porra!
To cansada de esperar por esse dia que não chega, por palavras que não são ditas e por ações não realizadas. Essa sua mania de fugir, de ocultar, de negar e de não tentar. Aonde foi parar a coragem?
Onde está o tal amor que tanto diz sentir?
A situação é mais fácil do que pensa, na verdade é essa sua cabeça dura que complica. Me disse que tinha apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo, mas para esse tal mundo preferiu falar sobre o vazio e que se fosse mais profundo seria Drummond. Pois esse poeta que disse, eu não posso tocar e nem amar.
O que mais me irritou nisso tudo é que foge de mim como um rato foge de um gato, mas quando precisou de alguém para fazer algo por ti, fui tua primeira opção. Algo que deveria ter feito antes, que sabia que ia ser pedido, mas preferiu gastar o seu tempo livre por ai...
Então chega, agora quem precisa de um tempo para pensar e decidir algo sou eu...
Até logo bom amigo.

Convite

Quero um grupo de pessoas, de amigos, de amores... Que possam curtir um domingo a tarde ao meu lado, andado de patins, caminhando, fazendo piqueniques. Nesse grupo o que vale são as ideias para transformar um dia como o Domingo no melhor de todos, onde o que importa é a propagação da Paz e da Felicidade. Quem sabe até um momento meio Paz e Amor... Dançando e pulando em uma roda ao som do violão.


Que esses meus amigos me ajudem a trazer um pouquinho de companhia àqueles que se sintam só, que gritemos no meio do asfalto que no meio de uma cidade existe um coração, pulsando, batendo e repleto de histórias para contar.
Convido você, seu irmão, sua vizinha, amiga e namorada... Todos estão convidados para dizer não ao tédio e a preguiça e até a melancolia de um domingo. Todos são bem vindos, assim como as ideias do que fazer com as tardes do dia...
Quero ir a praia, mesmo que na minha cidade não exista mar, quem disse que não podemos inventar? Criar? Imaginar? Não há limite para a imaginação e para essas aventuras.

Talvez eu queira achar um pouco daquela época em que os jovens sentavam e conversavam, trocavam pensamentos, sentimentos, sem a tal da internet.
Falei tanto o verbo querer na primeira pessoa, que podem até questionar o meu ego. Mas na realidade o maior desejo é que esse meu QUERO se torne rapidamente um QUEREMOS, sem limite para quantas pessoas irão querer.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Quem conhece o céu?


Era tarde da noite e Selina estava encostada no balcão do bar, bebendo algo para "adoçar" a vida. Quieta em seu canto nem percebeu que Gabriel chegou e sentou ao seu lado. Logo ele fez um cafuné em sua cabeça e a puxou para perto. Ela olhou querendo gritar e brigar com aquele que a tirou de seu "momento", mas ao ver seu amigo apenas sorriu e então falou:
-Que bom que é você e não outro idiota...
- É ótimo saber que me ama e que ainda continua tão doce Cara de Lua!
Selina sorriu e abraçou o amigo. Os dois continuaram ali por um tempo, apenas sorrindo um para o outro em silêncio e bebendo suas doces bebidas. Chegou um momento em que a garota ia saindo e seu amigo a segurou pelo braço:
-Não parece estar feliz...
-Sou obrigada a sorrir sempre?
-Desculpe-me madame, só gostaria de poder ter a sorte de ver uma das maravilhas desse mundo.
-Só não ando muito habilitada com essas máscaras que a sociedade insiste em colocar nas faces de todo ser humano.
-Estas revoltada mesmo minha pequena.
-Cansada de ser uma eterna romântica e de querer mudar o mundo Bi, só isso...
-Me dê uma chance de mudar o seu mundo, de lhe mostrar que o romance não está perdido e nem a humanidade.
-Sabe que somos amigos, apenas bons e adoráveis amigos.
-Por que insiste em negar...
-Negar mais um erro? Nós dois sabemos que sempre seremos ótimos amigos e que se misturarmos qualquer sentimento além desse, haverá complicações e nenhum dos dois sairá ileso.
-E se eu quiser me queimar?
- Se queimar?
-Funcionamos bem como amigos, mas também somos ótimos juntos de outras formas... O que me diz de uma amizade colorida, daquelas que servem apenas pra quando estamos carentes e precisando de um carinho a mais....
-Podemos nos magoar ainda mais, não sei se teria coragem de arriscar isso contigo. Prefiro lhe ter ao meu lado como amigo, do que lhe perder por uma tolice...
Gabriel não esperou nem mais um segundo, puxou Selina pelo braço para mais perto, olhou fundo em seus olhos e lhe deu um beijo. Era como se tivessem encontrado o caminho do céu, mas o que não esperavam é que na verdade estavam mais perto ainda do inferno.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Saudades da fulga


Ariel não era o tipo de menina ligada ao mundo que chamam de futilidades, não sabia qual era a marca do momento, os sapatos mais belos nem quais calças combinavam com tal blusa. Nunca foi de ficar ligada em novelas e nem na TV aberta. Se fechava num mundo próprio, onde quem criava sua "moda" era ela mesmo, vestindo o que achasse mais a sua cara, era apaixonada por botas, sim gostava de saltos altos, mas os trocava bom um all star. Preferia filmes, seriados, cartoons e animes do que aqueles programas sangrentos e cheios de tragédia. Acreditava em Deus da maneira dela, até orava a noite, mas pedia pela luz divina em seu caminho, para tomar as decisões certas.
A moça era mais amiga de professores do que dos colegas de sala de aula, apesar de sempre estar sorridente e não dispensar uma dança, muitas vezes queria chorar e se esconder no banheiro. Era por esses motivos que sentia-se mais a vontade com com um papel e caneta ou então na frente do computador colocando o que sentia ali e criando o seu mundinho.
Só que já haviam se passado quase seis anos daquele tempo, ela tinha amadurecido e compreendia que não poderia ficar ligada apenas ali. Então foi aprendendo um pouco sobre moda, o que fez com que descobrisse um pouco do seu estilo pessoal. Percebeu que era uma garota que gostava mais de música pop, mas nos seus momentos de escrita preferia melodias mais calmas com letras profundas. Agora mal falava com os professores e era até meio que "popular" entre sua turma, afinal fazia amizades facilmente no bar. Ela parou de desenhar e de pintar, apesar de sentir saudades, mas raramente dizia ainda. A única coisa que sentia que continuava da mesma forma era sua paixão pela escrita. Podia até ficar um tempo sem escrever, mas não muito tempo, se não enlouquecia. Era por isso que quando se comprometia com algo que envolvia a sua escrita e criatividade era tão severa e comprometida, não esperava nada menos dos outros. Afinal, se mesmo com outras coisas para se dedicar ela tirava um tempo para fazer suas tarefas, porque os outros não poderiam tirar também?! Isso mostrava o quanto era responsável. Mesmo perante aos olhos dos outros parecer ser mandona, ela só queria que retribuíssem pelo esforço que ela doava.
Ouviu que era egocêntrica  que queria ser superior, que sua mente do mundo era fechada, mesquinha, e achou mesmo que levou uma pela rasteira. Enquanto ela pensava no que aquela que a acusava de mil e um pecados não conseguia perceber que ao se tratar de comprometimento, era nulo, pulou fora, mesmo que olhando de longe, quando a coisa ficava feia, sobrava para Ariel resolver.
Mesmo abalada e triste com tal situação isso não faria ela mudar quem era e continuaria a ser comprometida, responsável e exigente consigo mesmo. Dane-se a visão alheia, porque mesmo quando se trata de responsabilidade com algo que não lhe dê "lucro" Ariel sabia muito bem o quanto isso era importante para treinar seu desenvolvimento na escrita e também lhe taria algum tipo de experiência, que no futuro poderia lhe ajudar no campo profissional.
A questão agora não era essa, mas sim o fator dela sentir falta do seu velho caderninho de anotações para colocar suas ideias, desabafar e esquecer mais uma vez daquele mundo tão hipócrita e cheio de sangue. É, naquelas últimas semanas Ariel queria mesmo esquecer de tudo e voltar para aquela época em que podia viver apenas do seu mundinho particular.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A resposta



Era quase 5h30 da manhã quando Serena acordou assustada, estava de novo tendo pesadelos. Resolveu levantar e foi até sua caixa de papéis de carta. Pegou a caneta e começou a escrever... Ela não pararia enquanto não terminasse aquela resposta que gostaria de dar.

"Quanto ao problema de "perdoar" não se preocupe, isso vem como o tempo, assim como em outras situações, como a maturidade. Não se sinta mal por esse seu "defeitinho", acontece, todos temos e o meu é ser uma doida varrida! Eu estou bem, tirando um tempo pra mim e louca pra voltar a trabalhar, sair, me divertir e viver. Voltei a ler muito, o que me lembra que você está com um livro meu, se puder, adoraria poder terminar de lê-lo, se não pode ficar como um presente/ recordação de quando trocávamos livros ou liamos juntos. Acredito que seja ótimo que voltou a fazer planos esse ano, demorou mais conseguiu, e não esqueça daquele meu conselho que qualquer plano vale a pena e que você não deve perder a esperança nunca, pois ELE pode te tirar do caminho que queria, mas lhe colocará em um caminho ainda melhor. Já eu nesta área, estou sem planos ainda e sem sonhos (além daquele de conhecer Paris, a Disney e Las Vegas, ou melhor viajar pelo mundo). Vou deixando a vida me levar e tentando achar o meu espaço nesse mundo tão grande.
O vazio, uma coisa que nós continuamos a ter em comum, será que é mesmo aquele tipo de amor que procuramos e não encontramos? Aqueles de conto de fadas? Sim, apesar de negar, você sabe melhor do que todo mundo, que sou uma eterna e incorrigível  romântica, mas um dia ainda espero aprender a não ser. Ou melhor ser, para poder continuar a escrever, sabe que isso eu até que faço bem e adoro... Quando ao conversar como você fazia comigo e eu também tentava fazer contigo, é uma das coisas que mais tento, mas ele não está afim de se aprofundar nos papos, vive dizendo que não quer se expor, que eu tenho que parar de querer questionar sobre ele e sua vida. Então estou de mãos atadas, afinal, só olhando a forma como a pessoa reage não tem como né? E a infantilidade atrapalha e muito nesse ponto, já que eu to tentando crescer, expandir os horizontes. Mas vamos ver até onde vai, no momento estamos no que podemos rotular de "dando um tempo", mas você e o Brasil inteiro sabe que eu não acredito nisso. E já tomei algumas decisões que serão complicadas de serem desfeitas.
E me desculpe, não queria falar mal do seu signo que tanto conheço, mas temos que saber que eu não sou a única culpada e o texto era meu colocava a culpa em quem eu quisesse... (brincadeira viu?)
Sim, piadas e brincadeiras tolas sempre nos ajudam a relaxar quando o "mundo" estão sobre nossos ombros.
Vou lhe dar um tempo como pediu para pensar e para aprender a perdoar, mas já agradeço desde já a sua resposta, eu estava errada.

Quanto aos termos que me passou, seguirei todos, inclusive o do hospício  mas esse eu tenho que tentar ver se eles me internam primeiro, ai quem sabe você me visita lá... Se bem, que poderia ficar preso por lá, já que somos amigos estranhos com loucura crônica.

Se quiser falar comigo, pode me mandar um e-mail ou me procurar de outra forma. (To tentando lhe dar espaço para agir da maneira que preferir).

Beijos e abraços apertados
La folle fleur, ou leãozinho"

Serena fechou as páginas, colocou em um envelope e guardou em sua carta de pequenos segredos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Querido amigo,
 
como vai você? O que tem se passado na sua vida depois que sai dela? Os teus planos e sonhos tem se tornado realidade? Você em algum momento sente a minha falta?
Chega de falar de você, me desculpe, aprendi a ser um pouquinho egoísta, e tenho que admitir que foi contigo, todas as vezes que me falava que eu deveria pensar em mim. Estou bem, pelo menos é como me sinto, apesar daquele velho vazio, o qual parece que nunca acho o que lhe completa. Quanto ao amor, é estou apaixonada, mas não é daquela forma como esperava sabe, não sinto aquela intensidade e várias coisas faltam. Começando pela falta de maturidade (das duas partes admito), pela confiança, falta de dialogo mais profundo (aqueles referente a vida sabe, ao gosto de cada um, aquilo que nos faz ir conhecendo aos poucos quem está do nosso lado).  No restante não tenho o que reclamar, é um ótimo rapaz, apesar de conseguir ser mais confuso que eu em alguns momentos.
Deve estar perguntando o porquê falar disso justo contigo, mas é que sinto sua falta e não é daquela forma que você pode pensar que eu sinto. É da conversa, da confiança, da compreensão, das broncas, risadas e do modo como sua amizade me fazia bem. Sim A-M-I-Z-A-D-E, sempre lhe falei isso, que esse tal sentimento era maior do que qualquer outro e mais importante também.

Ai... Queria tanto poder lhe falar de todas as vezes que sinto dúvida em relação a algo, ou quando sinto medo por uma idiotice qualquer. Sabe quando eu tinha minhas dúvidas e não fazia nada a não ser chorar? Então, eu não tenho mais o seu colo e também não choro mais, porém ainda sinto aquele vazio das suas piadas sem sentido sobre cachorro quente ou qualquer outra besteira que me faziam esquecer dos problemas por um minuto.
Sim, preste atenção nisso, você pode me odiar, eu sei disso, me achar a pessoa mais sem nexo do mundo e a louca que deveria estar mofando em um hospício. Mas eu também era aquela em quem você confiava, que muitas vezes dizia aquilo que não teria coragem para dizer a mais ninguém, que caia a cada passo, batia a cabeça em algum lugar nas horas mais importunas e que te fazia sorrir. Será mesmo que não podemos esquecer de todas as coisas que nos afastam já que superamos toda aquela história e nos focar na amizade que nos fazia tão bem?
Sim, juro por tudo, eu superei, aprendi com os erros e tenho que admitir que a maioria da culpa é minha, mesmo você sendo totalmente maníaco por controle e sendo obsessivo.
Poderíamos ser amigos sinceros mais uma vez? Daqueles que saem pra tomar um sorvete, colocar o papo dia e ligar quando sente dúvidas sobre como agir em relação a assuntos que não sabe mais com quem falar, porque só falava contigo?
Sei que provavelmente não responderá esta carta, mas pelo menos fiz a minha parte levantando a bandeira branca.
Obrigada por tudo mesmo,

Beijos e abraços,
uma velha amiga que você costumava chamar de Bubasauro